A Bíblia: Um recado de amor

Espiritualidade

Que arda como brasa, tua palavra nos renove!

Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos. Quero ver brotar o perdão, onde a gente plantou juntos outra vez. As palavras da música Sol de Primavera, de Beto Guedes, são mais que inspiradoras para compreendermos a celebração do mês da Bíblia. Já que a Palavra de Deus é fruto de uma profunda experiência de encontro do criador com a criatura. Fala de gente que não perdeu a esperança, de um povo que confiou na voz do Senhor que sempre o impulsionou e que nunca desamparou nas horas difíceis. Antes de ser escrita ela foi contada e cantada de pai para filho, de modo que foi redigida primeiro no coração, e depois foi transformada em letras. Caracteres que chegam até nossos dias produzindo os mesmos efeito e sentido que transformou a vida daqueles que nos transmitiram. É a semente plantada, muitas vezes na dor e no sofrimento (Cf. Sl 126, 5), que produz, constantemente, flores de alegria e esperança, fazendo que haja uma constante primavera.

A Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concilio Vaticano II nos diz que a Sagrada Escritura, salvas sempre a verdade e a santidade de Deus, manifesta-se a admirável «condescendência» da eterna sabedoria, «para conhecermos a inefável benignidade de Deus e com quanta acomodação Ele falou, tomando providência e cuidado da nossa natureza» (DV 10). A Escritura é, para nós, a expressão da bondade e do carinho que Deus tem para conosco, é uma bela forma de dizer que não estamos sozinhos, que há um criador que nos ama e quer bem. Não obstante as intempéries da vida ele cuida de nós. E vai além, como nos diz o Concílio que: As palavras de Deus com efeito, expressas por línguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens tomando a carne da fraqueza humana (DV 11). Deus acolhe o jeito humano para nos falar. É como um pai ou uma mãe que ao falar à criança se abaixa colocando-se na mesma estatura para dizer algo importante. Assim é o Senhor que assume a nossa linguagem para que gente possa entender seu recado de amor.

Portanto, que a Palavra de Deus seja, para nós, o itinerário do bem, da alegria, da esperança, da fé e do amor. Que nos tempos de penumbra ela seja luz e lâmpada como nos diz o salmista (cf. Sl 119, 5). Que ao encontrarmos alguém que sofre, recorramos aos ensinamentos nela contidos para sermos conforto e alento. As Sagradas Escrituras não nos prometem paz, segurança e repouso; o Evangelho não esconde as adversidades, os apertos, os escândalos; mas quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22). Isso nos ensina Santo Agostinho em seus sermões. A Bíblia não aponta um caminho de facilidades, mas de perseverança naquele que tem para nós as palavras de vida eterna (cf. Jo 6, 68).

Frei Juliano Marçal de Carvalho, ofm

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