Como proceder perante erros litúrgicos ?

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Se você perceber que seu pároco está cometendo erros litúrgicos, sabe o que fazer, sem faltar à caridade?

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O Código de Direito Canônico assim nos diz: Cân. 212, § 2 Os fiéis têm o direito de manifestar aos Pastores da Igreja as próprias necessidades, principalmente espirituais, e os próprios anseios.

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Em que ocasião cantar o Hino do Ano da Misericórdia?

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O Hino composto para o Ano Santo da Misericórdia, de autoria de Eugenio Costa e Paul Inwood, tem caráter litânico, isto é, pertence à família das ladainhas.
 
É composto de um refrão: Misericordiosos como o Pai! [cf. Lc,6], e as estrofes ou invocações são uma espécie de invocação e exortação ao povo que, por sua vez, responde: Pois eterna é a sua misericórdia!. Esta resposta é baseada no Salmo 136: Eterna é a sua misericórdia!, conforme cita o documento Misericordiae vultus [O rosto da misericórdia, papa Francisco], nº 7, em que proclama o Ano Santo da Misericórdia, no qual diz:
 
A misericórdia torna a história de Deus com Israel uma história da salvação. O fato de repetir, continuamente ‘pois eterno é o seu amor’, como faz o Salmo, parece querer romper o círculo do espaço e do tempo para inserir tudo no mistério eterno do amor. É como se se quisesse dizer que o homem, não só na história, mas também pela eternidade, estará sempre sob o olhar misericordioso do Pai. (…) O fato de saber que o próprio Jesus rezou este Salmo, torna-o, para nós cristãos, ainda mais importante e compromete-nos a assumir o refrão na nossa oração de louvor diária: ‘eterna é a sua misericórdia’“.
 
Também no Salmo 118(117), a resposta O seu amor é para sempre! traduz o mesmo sentimento descrito acima. Trata-se de um salmo pascal que recorda as maravilhas que o Senhor fez para com o povo de Israel. Este salmo era cantado pelo povo ao adentrar no templo reconstruído.
 
Tendo esse pano de fundo com esses motivos: a ladainha na qual invoca-se a misericórdia de Deus, o Salmo 136 e o Salmo 118(117), podemos então situar o Hino para o Ano Santo da Misericórdia e pensar como ele pode ajudar a assembleia a recordar-se da misericórdia de Deus na celebração da Eucaristia e em outras celebrações litúrgicas.
 
Mas antes é preciso informar que aqui não formulamos nenhuma orientação com relação ao Hino, o que caberá a cada grupo de cantores e instrumentistas, equipes de liturgia e comunidades a bem situá-lo, dependendo do contexto da celebração, dos motivos da comunidade, sobretudo do tempo litúrgico, e das necessidades da comunidade em celebrar bem, em momentos oportunos, o Ano Santo da Misericórdia, principalmente debruçando-se sobre o documento Misericordiae vultus [O rosto da misericórdia] que proclama este ano.
 
Sempre é bom lembrar que não vale “enfiar” o Hino em qualquer lugar da celebração ou em qualquer dia. É preciso critério e clareza para se pensar numa boa e qualificada oportunidade de se cantá-lo, a fim de que a comunidade celebrante possa cantar com inteireza, se apropriando de seu conteúdo, de suas belas palavras e sua melodia possa tocar profundamente cada um/a. O canto litúrgico ajuda a comunidade a rezar e a se apropriar do conteúdo de fé nele presente. Cantar com conhecimento de causa, eis a questão!
 
Já disse aqui neste blog em outro artigo que “a música litúrgica, revestida de seu texto poético e melodia, tem força de realizar aquilo que significa quando se coloca a serviço mesmo da liturgia, solenizando-a, e santificando a assembleia celebrante, por isso ela é o sinal sensível mais eloquente da assembleia celebrante (SC, 7, 112, 113). O canto, com uma melodia eficaz e uma poesia consistente e qualitativa, é capaz de exprimir a alegria do coração que vibra, ao ressaltar a importância da celebração, solenizando-a (Dies Domini, João Paulo II)”.
 
Assim, sugerimos as possibilidades abaixo, que pensamos sejam significativas para as comunidades:
 
– Baseado no nº 9 do referido documento, há vários textos bíblicos que podem ser usados nas celebrações da misericórdia. Havendo na comunidade essas celebrações, é oportuno cantar o Hino, na abertura, num momento próprio para algum gesto de reconciliação mútua dos presentes, ou outro momento que a comunidade julgue necessário.
 
– No tempo da Quaresma, sobretudo no 3º Domingo (A figueira que não dá frutos), no 4º Domingo (O filho que retorna à casa do Pai) e no 5º Domingo (A mulher a quem Jesus perdoou), são oportunidades bem significativas para se cantar o Hino, seja na Abertura da celebração ou como canto da Comunhão. Particularmente, o canto da Comunhão deve estar ligado ao conteúdo do Evangelho, o que o faz elemento de ligação das duas mesas: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Neste sentido, a letra do Hino se torna oportuna a este momento. Porém, não se esqueçam do bom repertório quaresmal que temos no Hinário Litúrgico da CNBB, Vol. II para esses dois momentos.
 
– Os nºs 17 e 18 do documento Misericordiae vultus [O rosto da misericórdia] também sugere que a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus. E descreve vários textos bíblicos que podem ser refletidos neste período. Como por exemplo, encontrar espaços e ocasiões que a comunidade deve bem celebrar os motivos que ela mesma presenciou a misericórdia de Deus em sua caminhada. As festas dos padroeiros, com os tríduos, são ótimas ocasiões para isso, principalmente se as comunidades reservarem a celebração da Eucaristia para o último dia da festa, deixando que os outros dias sejam verdadeiros encontros celebrativos (Ofício Divino, Celebração da Palavra ou Novenas) em que a comunidade visualize em seu padroeiro aquele que acolheu em vida e foi merecedor da misericórdia de Deus.
 
– Também o nº 17 do mesmo documento indica uma iniciativa para as comunidades e dioceses: “24 horas para o Senhor”, celebrada na sexta-feira e no sábado anteriores ao 4º Domingo da Quaresma, ocasião em que muitos “estão se aproximando do sacramento da Reconciliação e que frequentemente, nesta experiência, reencontram o caminho para voltar ao Senhor, viver um momento de intensa oração e redescobrir o sentido da sua vida”.
 
– Se a comunidade tem o hábito de rezar e celebrar o Ofício Divino com o povo, pela manhã ou à tarde, eis aí um momento oportuno para se cantar o Hino, até mesmo uma ou duas estrofes, como sugere o nº 7 do documento, “tornar o ‘eterna é a sua misericórdia’ como nossa oração diária”.
 
Enfim, são várias possibilidades que pensei e que agora dependem da criatividade, do zelo pastoral das equipes e dos ministros em cantar bem o Hino do Ano Santo da Misericórdia.
 
Esperamos e confiamos que as comunidades paroquiais saibam aproveitá-lo bem e pelo dom da voz e da música, entoar as misericórdias de Deus, que são para sempre!
 
Com carinho, desejamos aos leitores boa caminhada quaresmal e ótimas celebrações do Ano Santo da Misericórdia!
 
Obs.: Aos que desejarem, tenho em partitura uma versão em português brasileiro, inclusive traduzindo as partes em latim para nossa língua, adaptada por Márcio Antônio de Almeida, a pedido do compositor britânico Paul Inwood, com o qual estivemos em Traunstein, Alemanha, em agosto de 2015, no Universa Laus, ocasião em que nos apresentou o Hino e nos contou uma pequena história a respeito do concurso e da escolha do Hino.
Fonte : euriferreirablog.wordpress.com

Três erros litúrgicos que precisam ser corrigidos!

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Temos muitos padres leitores do Salvem, e leigos com acesso aos padres. Sabemos que os amigos do nosso apostolado não promovem ou compactam com aqueles mais graves (Comunhão self-service, “consagração” de pipoca, não-uso da casula, proibição de Comunhão de joelhos ou na boca etc). Os padres leitores certamente não praticam essas e outras barbaridades na Missa.

Celebração litúrgica não é palco!

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Outro dia, numa conversa com leigos, um deles comentou um fato que eu não sei definir se inquietante ou preocupante. Talvez o segundo adjetivo qualifique melhor aquela história ou, quem sabe, unindo os dois tenhamos um resultado mais realista do fato. Eram leigos de diversas comunidades e cada um deles dizia ter conhecimento de fatos semelhantes, o que faz aumentar a inquietação.

Aconteceu com uma banda musical que exercia o ministério da música numa comunidade. Tocavam mal e alto. Um dia, o padre os chamou e, com muita caridade, fez ver que o trabalho deles era importante, mas do jeito que estava sendo feito, sem se prepararem devidamente, nunca ensaiando as canções e escolhendo músicas em cima da hora dificultava o caminho que a Pastoral Litúrgica da comunidade estava fazendo. Eles protestaram e queriam bater boca com o padre. Educado e acostumado a conversar, o padre os ouviu e pediu que repensassem seu modo de agir, porque a Liturgia merece o melhor.

Como a tática do bate boca não funcionou, porque o padre lhes mostrou, com dados inquestionáveis, que eles não estavam bem neste serviço litúrgico, eles apelaram e desafiaram o padre: “ou a gente toca do jeito que a gente quer ou ninguém mais toca nesta Missa”. O padre ponderou que não é assim que funciona a coisa e fez ver que eles não eram os donos da missa. A proposta era outra: exercer o ministério da música como a Pastoral Litúrgica da comunidade estabelecera para todos os ministérios. Depois daquela conversa, o pessoal da banda disse que não queria mais saber da Igreja e da comunidade e foram embora, alguns, inclusive, foram para uma Igreja evangélica, concluiu o leigo.

 

Outro participante do grupo disse que algo semelhante havia acontecido com uma catequista da comunidade, outro emendou e falou que um ministro da distribuição da comunhão também deixou a Igreja por um desentendimento, outro falou de um Leitor que não escolhia trabalho e porque alguém lhe disse que precisava participar mais da preparação das Missas, não gostou e sumiu. Com casos assim, a conversa se estendeu por um bom tempo. No final, um deles questionava sobre o que essa gente tinha na cabeça para agir assim. Uma senhora, muito simples, ponderou: “eu acho que tem coisas demais na cabeça e pouco Jesus no coração”. Acertou! De fato, quem abandona o projeto de Jesus e abandona a Igreja porque não pode fazer do jeito que quer, demonstra ter pouco Evangelho no coração. As pastorais e, em especial a Pastoral Litúrgica exige respeito às normas da Igreja e harmonia para que o trabalho alcance seus objetivos. Celebração litúrgica não é palco.

Lembrei-me dessas conversas, preparando-me para refletir sobre Ministérios Litúrgicos. Muitos trabalham na Igreja, dedicam-se à comunidade, mas ainda não transformaram a vida em Evangelho; ainda não se alimentaram o bastante de Jesus Cristo a ponto de buscar o que é bom para todos. É uma análise dura, mas não deixa de ser realista. É o exemplo daqueles discípulos de Jesus que conheciam sua doutrina, mas se negavam a alimentar-se da vida do Cristo e foram embora (Jo 6,66).

Francisco Régis

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Serviço de Animação Litúrgica

Fonte : Informação Católica